Áreas de concentração e linhas de pesquisa

Área de concentração: Ecologia

Descrição: O Mestrado em Ecologia visa possibilitar ao graduado as condições de desenvolver estudos de natureza científica que demonstrem o domínio dos instrumentos conceituais e metodológicos essenciais na Área de Concentração em Ecologia, qualificando-o para docência em nível superior, à pesquisa e como profissional especializado em Ecologia, através de trabalhos de investigação e de ensino.

Linhas de Pesquisa:

As linhas de pesquisa “Ecossistemas Marinhos” e “Ecossistemas Terrestres” não são estanques em si mesmas e o PPGECO-UFSC procura criar interfaces entre as diferentes linhas e alguns docentes podem facilmente transitar entre as mesmas.

Ecossistemas Marinhos

A linha de pesquisa “Ecossistemas Marinhos” envolve estudos sobre os fatores determinantes e organizadores das comunidades e ecossistemas marinhos, incluindo aspectos do ambiente físico e suas interações com a biota, além de suas aplicações para o manejo e conservação de ecossistemas costeiros. Caracteriza-se por trabalhos de avaliação da diversidade biológica nos níveis genético, organísmico, populacional, funcional, de comunidades e ecossistemas. Inclui também estudos sobre biologia reprodutiva e comportamental, bioindicadores, espécies invasoras, dinâmica de nutrientes, fluxo de energia, interações tróficas, etnoecologia, conectividade entre populações, ecologia química, evolutiva, biogeografia e macroecologia. A conservação biológica é um tema central para compreensão dos efeitos da atividade humana sobre as espécies, comunidades e ecossistemas e para atender ao desenvolvimento de abordagens práticas para prevenir a extinção de espécies, comunidades e ecossistemas em diferentes escalas espaciais. Esta linha atende às necessidades de um programa de pós-graduação localizado em uma ilha, em um estado responsável por uma das maiores produções de pescado do país e que abriga várias unidades de conservação marinhas, inclusive uma Reserva Biológica (REBIO do Arvoredo). Na costa catarinense encontra-se o limite meridional da transição dos ambientes tropicais e subtropicais com forte influência da Convergência Subtropical e dos remanescentes da Mata Atlântica, além do limite austral dos manguezais. Ressalta-se ainda que as águas de mistura das Correntes do Brasil e Malvinas compõem um ambiente único tanto do ponto de vista ecológico, de manejo pesqueiro, ou dos distúrbios crescentes causados pelo homem. As pesquisas realizadas nessa área visam fornecer subsídios para a conservação da biodiversidade e manejo dos recursos marinhos. Neste sentido, é fundamental o desenvolvimento de estratégias de pesquisa voltadas à integração e síntese de dados ambientais e ecológicos, de modo a descrever a funcionalidade da zona costeira e os processos envolvidos em sua história evolutiva recente e na sua caracterização oceanográfica. A situação da pesca mundial, por exemplo, é muito preocupante, considerando que os estoques vêm decaindo acentuadamente nas últimas décadas. Apesar de caracterizar-se como um problema global, somente o conhecimento específico de cada região poderá apresentar soluções para a sua sustentabilidade. Distúrbios causados pelo homem em termos de coleta, pesca e seus problemas associados (uso do abusivo do arrasto como arte de pesca destruindo o próprio habitat e os juvenis de várias espécies), assim como a relação entre as comunidades envolvidas, serão temas prioritários de estudo do programa. A REBIO do Arvoredo e as APAs da Baleia Franca e Anhatomirim são modelos importantes para estudos dos conflitos decorrentes da criação de áreas protegidas marinhas e de sua efetividade na manutenção da biodiversidade. Os docentes do programa vem desenvolvendo estudos de longo prazo desde meados da década de 1990 com populações marinhas e estuarinas de algas, crustáceos, poliquetos, corais, peixes, golfinhos e baleias. Tais estudos vem merecendo o devido respaldado da comunidade científica nacional e internacional, além de envolver uma área extremamente crítica para a conservação devido a transição entre as duas maiores correntes marinhas do Atlântico sul-ocidental.

Ecossistemas Terrestres

A linha de pesquisa “Ecossistemas Terrestres” visa aprimorar a compreensão das bases ecológicas para a conservação e o manejo de recursos naturais, especialmente na porção mais austral do Bioma Mata Atlântica, abrangendo principalmente três eixos inter-relacionados: biodiversidade e indicadores ecológicos, manejo sustentado de populações naturais e interações ecológicas interespecíficas, e ecologia humana. A ênfase na porção austral do Bioma Mata Atlântica justifica-se pela grande diversidade de ecossistemas encontrados tanto em gradientes latitudinais como altitudinais nesta região. Configura-se como uma região com importantes remanescentes de Floresta Ombrófila densa, mista, estacional decidual e semi-decidual, campos de altitude, matas nebulares, vegetação de restinga e o limite austral da distribuição de manguezais na costa brasileira. Destaca-se ainda que estes dois últimos componentes têm favorecido a integração desta linha de pesquisa com as demais linhas do programa “Ecossistemas Marinhos” e “Ecossistemas de Águas Continentais”. O eixo biodiversidade e indicadores ecológicos, tem como finalidade quantificar a influência da ação antrópica sobre a estrutura de comunidades através de análises comparativas de diferentes grupos taxonômicos da fauna local encontrados em áreas degradadas e conservadas, descobrindo padrões associados à degradação ambiental da Mata Atlântica. A análise de grupos importantes no funcionamento dos ecossistemas, devido à sua participação ativa em complexos processos ecológicos, com ênfase em assembléias de insetos, representa uma importante ferramenta em programas de conservação e manejo. No contexto do manejo sustentável de populações naturais e interações ecológicas interespecíficas há um foco especial na caracterização, conservação, manejo e autoecologia de espécies da biodiversidade brasileira. Este eixo incorpora estudos sobre estrutura de populações e comunidades e sobre os efeitos da riqueza de fauna nos processos de dispersão e predação de sementes, com ênfase nas interações inseto-planta. Ações humanas são partes intrínsecas de modificações na estrutura de populações e na composição e estrutura de comunidades. O entendimento destas ações tem se beneficiado de abordagens interdisciplinares, como aquelas enfatizadas no eixo ecologia humana. Este eixo incorpora também abordagens da etnoecologia, etnobotânica e da ecologia histórica e tem como finalidade investigar e resgatar o conhecimento ecológico local sobre recursos naturais, colaborando para a construção participativa de diretrizes para o uso, manejo e conservação destes recursos em Unidades de Conservação e fora delas. Procura também entender os fatores relacionados à conservação, às perdas e ao favorecimento de biodiversidade e agrobiodiversidade. Este eixo tem se pautado na integração de abordagens, o que facilita a aproximação interdisciplinar com outras áreas do conhecimento sobre a análise de problemas ambientais.

Dentro desta linha também se encontra o estudo de Ecossistemas de Águas Continentais, desenvolvendo pesquisas sobre distribuição, abundância, e interação dos organismos aquáticos, incluindo aspectos do ambiente físico e suas interações com a biota nas lagoas costeiras, riachos, reservatórios, mangues e estuários. Os estudos caracterizam-se por trabalhos de avaliação da diversidade biológica e inclui estudos sobre biologia reprodutiva e comportamental, bioindicadores, dinâmica de nutrientes, fluxo de energia e interações tróficas de espécies aquáticas. Os projetos contemplam igualmente tanto a importância intrínseca da biodiversidade como as questões relacionadas à crescente ameaça antrópica à biodiversidade. Estão envolvidos também diferentes campos do conhecimento quanto ao diagnóstico, remediação e biomonitoramento ambiental, visto que, o ambiente aquático vem recebendo nos últimos anos especial atenção, tanto nas bacias hidrográficas afetadas por lançamento de efluentes e construção de centrais hidroelétricas, como os ambientes estuarinos e lacustrinos que sofrem contínua ação antrópica, notadamente através de efluentes e uso e ocupação desordenado. Neste contexto, a conservação biológica é também um tema central para compreensão dos efeitos das atividades humanas sobre as espécies, comunidades e ecossistemas e para atender ao desenvolvimento de abordagens práticas para prevenir a extinção em diferentes níveis de organização ecológica e nas escalas espaciais e temporais.